Mulheres adestradoras de homens?

fonte: Fantástico

As mulheres sempre reclamam que os homens são difíceis de lidar. Mas nem tudo está perdido: e a solução vem do mundo animal. Uma americana sugere uma nova abordagem no nosso relacionamento com os homens. É radical. Mas quem sabe não dá certo?

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Que mulher não gostaria de ter um homem que obedecesse as suas ordens? Por exemplo, assim: Ela chama ele vai, ela chama ele vai. Mas melhor ainda seria ter um homem que quando a mulher dissesse: pare de olhar para o lado meu amor, olhe pra mim, ele reagisse com uma carinha toda carinhosa.

Isso pode estar muito mais perto da realidade do que você imagina. Pelo menos é o que garante a americana Amy Sutherland. Amy passou um ano observando o treinamento de animais. Ela percebeu que os treinadores, para conseguir tudo o que querem, dão prêmios para o bom comportamento, e ignoram aquelas atitudes que eles não querem que se repitam. Será que isso funcionaria também entre os humanos?

Amy conta, em um livro, o que fez o teste com o próprio marido.

“Percebi que eu não estava valorizando as coisas que eu gostava nele e estava gastando “muito” tempo, perdendo o humor e reclamando de coisas que deveriam ser simplesmente ignoradas”, conta Amy.

Os animais têm que saber imediatamente o que se espera dele. Por isso são recompensados pelos treinadores na mesma hora que fazem uma coisa certa.

“Hoje, quando eu vejo meu marido fazendo algo que eu gosto, eu elogio na hora”, diz Amy.

Em um curso de adestramento de cães, as mulheres confessaram que aplicam técnicas de treinamento de cachorros para adestrar os seus maridos.

“Assim como os cachorros, o reforço positivo funciona mais do que o negativo. Então eu diria assim, pensar muito bem o que você quer, porque, às vezes, a gente não deixa claro para o cachorro nem para o humano o que a gente quer. Mostrar o que a gente quer e recompensar quando o que a gente quer for feito”, garante a adestradora de animais, Daniela Prado.

Por exemplo: se o seu marido for do tipo que adora andar mais rápido e te deixar sempre para trás, você começa andar devagar, ele vai se dar conta que ele tá lá na frente sozinho e ele vai voltar. De preferência se passar um rapaz bonitão e olhar para você, aí ele volta correndo.

Agora, se o seu marido é do tipo que fica atrás o tempo inteiro perguntando: Cadê minha chave? Cadê minha meia? Cadê meu celular?

“Aí eu diria que é reforço negativo. Cadê minha chave, minha cueca, você ignora. E aí vai ensinando olha só, a chave fica sempre na gaveta da direita, a meia fica sempre na gaveta da esquerda. E toda vez que ele for lá pegar, você achou sua chave, muito bem, que bonitinho! O maior segredo é a gente conseguir fazer isso, sem que eles percebam”, acredita Daniela.

Nós saímos as ruas pra saber: quando uma mulher põe a coleira no homem?

“Quando ela marca hora de chegar em casa, quando pergunta onde você tava, se estava com a outra, ela quer dominar o cara né”, acredita um homem.

“Ela tenta influenciar em tudo que você faz, tenta mudar seu estilo, suas amizades”, diz outro.

“Eu consigo fazer o meu marido fazer o que eu quero”, comenta uma mulher.

“Eu não me interesso mais em jogar pelada no dia de semana por exemplo”, garante um homem.

“Se eu fosse comparar com os cães, eu seria uma cachorra alfa, dominante, e ele seria um cachorro submisso”, comenta uma mulher.

Leia abaixo, a entrevista que Amy deu para a revista Galileu, da Ed. Globo:

Galileu:  Quais as principais técnicas de adestramento animal você aprendeu e como as aplica em seres humanos?
Amy Sutherland: A lição básica que aprendi com os treinadores de animais é que comportamento é comunicação. Então passei a usar meu comportamento para comunicar às pessoas o que eu queria ou não. Esse comportamento pode incluir a fala, mas não se limita a isso. Adotei a estratégia de encorajar os comportamentos que eu queria e desencorajar os indesejados. Quando meu marido fica mal-humorado porque perdeu suas chaves, por exemplo, pensando como uma adestradora, eu o ignoro ao invés de ajudá-lo, como fazia no passado. Ele já não fica mais tão mal-humorado. Na mesma linha, passei a encorajar comportamentos que eu desejo. Seguindo a estratégia de ignorar comportamentos indesejados, parei de brigar por causa deles. De acordo com os treinadores de animais, qualquer atenção pode reforçar um comportamento, então você pode, sem querer, encorajar o que você não quer. Também parei de brigar, porque isso é um tipo de punição, e os treinadores modernos não usam punição.

Galileu:  Além disso houve outras mudanças?
Amy: Passei a usar o que os treinadores chamam de aproximação, que é, basicamente, dar pequenos passos até em direção ao ensino do novo comportamento. Por exemplo, um treinador não espera que um golfinho aprenda a pular de uma hora para a outra. Ele ensina a técnica por meio de uma série de passos anteriores. Isso me fez perceber que eu freqüentemente esperava que as pessoas mudassem seus hábitos repentinamente. Então passei a recompensar cada progresso em direção ao objetivo final. Se meu marido dirige mais devagar ou me deixa esperando por menos tempo que o normal, eu o recompenso com um “obrigada” ou algo do gênero. Parei de achar que todas as atitudes de meu marido e os outros diziam respeito a mim. No passado, se Scott deixasse suas roupas suadas de pedalar no chão do banheiro, eu achava que aquilo era um sinal de que ele não me amava o suficiente. Pensando como um adestrador, que vê comportamento apenas como comportamento, consegui me distanciar para perceber que nem tudo que meu marido faz reflete seus sentimentos por mim. Ele deixa suas roupas jogadas no banheiro simplesmente porque é esquecido. Isso não tem nada a ver com seu amor por mim.

Galileu: A maioria dessas técnicas vai contra o modo como treinamos nossos animais, filhos e parceiros. O que estamos fazendo de errado?
Amy: Usamos muita punição. Implicamos, criticamos, gritamos. Também, inadvertidamente, sem pensar, punimos comportamentos que desejamos. Um apresentador de rádio me deu o exemplo perfeito disso outro dia. Ele decidiu ajudar sua esposa limpando o chão da cozinha, coisa que raramente fazia. Sua esposa o criticou por ele não ter limpado direito. Ele se sentiu criticado por fazer uma coisa que ela deveria gostar e levou um tempo para repetir o gesto.

Galileu: É mais fácil treinar humanos ou animais?
Amy: Acho que os animais , geralmente, são mais fáceis de treinar, pois eles não são emocionalmente complicados. Por outro lado, eles são mais difíceis de treinar do que as pessoas porque são muito perceptivos, percebem cada pequeno movimento que o treinador faz, o que é fácil para fazer com que, inadvertidamente, ele dê um comando errado (por exemplo, eles dão um comando de mão para que os golfinhos pulem. Mas se, sem perceber inclinarem a mão, os golfinhos vão achar que faz parte do comando).

Galileu: O que seu marido acha de ser sua principal cobaia nesse experimento?
Amy: Ele achou divertido, mas também passou a usar a mesma estratégia comigo. Pensar como um adestrador de animais é a melhor e mais calma maneira de lidar com as pessoas. Quem iria se importar com isso?

Galileu: Qual hábito indesejado do seu marido você conseguiu mudar?
Amy: A maior mudança no comportamento do meu marido foi que ele não perde mais a paciência como antes quando perde suas chaves, carteira ou qualquer outra coisa. Isso tornou nossa convivência mais pacífica.

Galileu: Dá para aplicar essas técnicas na vida sexual?
Amy: Claro. Mas eu não usei desse modo. Meu objetivo ao escrever o livro foi mostrar como podemos usar esses princípios em todos os nossos relacionamentos, não somente com o parceiro.

Galileu: Dá para usar essas técnicas em nós mesmo?
Amy: Sim. Eu as uso em mim mesma. Quando estou com problemas para fazer alguma coisa, quebro o dever em pequenos passos e acho uma maneira de me recompensar por cada passo em direção ao alvo.

Galileu: Quanto tempo leva para mudar o comportamento de uma pessoa?
Amy: A pessoa que eu mudei foi eu mesma. É o que você tem que fazer quando pensa como um adestrador de animais. Agora quanto tempo você leva para conseguir o comportamento que deseja de outra pessoa, isso varia de caso a caso. As vezes tenho resultados imediatos, outras, leva um longo tempo.

Galileu: É mais fácil treinar homens ou mulheres?
Amy: Acho que as mulheres são mais motivadas. Os homens podem e usam a dominação para conseguir o que querem. As mulheres usam mais da diplomacia, que é o que o treino basicamente é.

Galileu – Qual animal é mais parecido com o homem e com a mulher?
Amy: É difícil dizer, porque apesar da nossa similaridade com os macacos, eles não são monogâmicos, os machos e fêmeas não interagem da mesma maneira que nós. No entanto, os lobos ficam com um parceiro por toda a vida, assim como alguns pássaros.

Galileu: Como a Shamu modificou sua vida, principalmente seu casamento?
Amy: Tornando-os mais calmos, leves, o que se deve, provavelmente, ao meu maior autocontrole. Também fiquei menos negativa, o que é bom para as pessoas que convivem comigo.

PRA MATILHA FEMININA DO CACHORRO BLOG!
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