Cansado da sujeira dos cachorros, morador faz campanha em rua de Moema

Notícia do G1

Representante de SP espalhou 40 frases pedindo educação aos donos.
Segundo ele, houve melhora significativa na área após a medida.

Placas espalhadas por rua de Moema alertam donos de cães para recolherem a sujeira produzida por seus animais (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Cansado de brigar com os vizinhos e de pisar em cocô de cachorro quando andava pelas ruas de seu bairro, o representante comercial Marcus Vinicius Zacharias Pinheiro, de 52 anos, resolveu tomar uma atitude. Munido de bom-humor, ele criou 40 diferentes frases incentivando os donos a recolherem a sujeira produzida por seus animais, imprimiu em folhas de papel, as plastificou e distribuiu por seu quarteirão em Moema, na Zona Sul de São Paulo. A cruzada pelo direito de não levar sujeira para casa contou com a simpatia local, e segundo ele, melhorou o problema em 90%.

“Onde a gente sinalizou, a melhora foi significante. Alguns donos começaram a usar o material para a coleta, outros levaram o cachorro para passear em outra rua. Eles ficam com vergonha de estar naquele espaço”, disse Pinheiro, que, apesar da campanha, não é contra os animais. “Já tive cachorro, mas acho que não cabe em apartamento. Sempre fui muito voltado ao respeito ao espaço do meio ambiente, do vizinho. A minha liberdade acaba quando começa a do outro.”

As placas podem ser vistas na Rua Rouxinol, entre as ruas Inhambu e Tuim. Elas foram instaladas em jardins, postes e lixeiras e contam com ilustrações espirituosas para chamar a atenção de quem passa. A medida, tomada há cerca de 40 dias, veio após muito estresse e muitas reclamações sobre o assunto. A solução, entretanto, foi com a tentativa de evitar brigas.

“É com humor que a gente combate. Se eu usar uma palavra de baixo calão, vai se tornar estúpido, acabo perdendo um pouco da razão. Começa a ter um outro sentido”, conta o representante comercial.

Jardim também foi alvo de campanha, que usou o bom-humor como arma (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Por isso, as frases apelam para o bom senso e para a educação dos moradores de Moema, bairro de uma área nobre de São Paulo. Algumas parecem até anúncio de emprego. “Você é dinâmico? Se comunica bem? Quer progredir na vida? Sua chance chegou! Comece já limpando os dejetos de seu cão”, diz uma delas, instalada em um poste.

Em outras, a linguagem é juvenil e até infantil em alguns casos. A medida faz ampliar a campanha para todas as faixas etárias. Pinheiro cita um episódio recente em que quase arranjou briga com uma mulher acompanhada de seus dois filhos na rua. “O cachorro fez cocô no jardim de um restaurante. A dona tentou limpar, mas não conseguiu. Ela pediu água no restaurante, que negou. Então, falou ‘Vai ficar assim!’, e foi embora. Eu disse que era responsabilidade dela limpar, e ela disse ‘O senhor é um chato, está errado!’”, conta ele.

O caso lembra um problema frequente apontado pelo representante comercial: muitos donos até carregam sacos plásticos para recolher a sujeira, mas a largam em qualquer lugar. Outro problema é a urina dos cães – segundo ele, se os saquinhos já são poucos, os donos que carregam garrafinhas com água com detergente para limpar o xixi são raros.

Apoio

Todas as mensagens citam a Lei Municipal 13.121, que determina, entre outras coisas, que o não recolhimento dos dejetos dos animais está sujeito a multa. Frequentador do parque do Ibirapuera, Pinheiro atua como uma espécie de olheiro no parque, e também usa a lei para conter donos de animais de raças mais ferozes que querem entrar na área sem que seus cães estejam com focinheira.

O esforço, contanto, surtiu resultados não só na limpeza, mas na mobilização das pessoas. O representante comercial conta que, além da melhora das calçadas de sua rua, também teve o apoio de moradores e síndicos vizinhos. Interessadas nas frases, pessoas que moram em outras vias pediram para que ele enviasse o material, para expandir a campanha.

“O dono do cachorro não percebe, ou pode até saber, mas não está nem aí, com os problemas que as fezes podem causar. Agora, o faxineiro do meu prédio ter que ficar lavando a calçada cheia de cocô de cachorro dos outros? Isso não existe”.

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