Quer ter um bicho? Adote

fonte: R7

Dia Nacional de Adotar um Animal, comemorado domingo (4), quer chamar a atenção para a importância do bem-estar dos bichos

Na Holanda, Larissa Weber posa com a cadela Bianca

Na Holanda, Larissa Weber posa com a cadela Bianca

Eles vagam soltos pelas ruas da cidade, sem ter quem cuide deles. Estão expostos a todo tipo de violência e perigos. A Prefeitura de São Paulo estima que existam pelo menos 21 mil cachorros e 4.500 gatos abandonados na capital. Mas graças ao trabalho de cachorreiros e gateiros existem entidades que não só recolhem os bichos das ruas, como cuidam do seu bem-estar até que sejam adotados, o que geralmente acontece em feiras.

Em sua maioria, esses animais são vira-latas. Mas há também cachorros de raça, como Hero, um Golden Retriever. Nesses casos, as exigências para a adoção são maiores, explica Fábio Rinaldi, diretor da ONG Loucos Por Bichos. “Ele tem porte grande, precisa de muito espaço. O pacote de ração custa cerca de R$ 90 e dura em torno de 20 dias. A manutenção dele é um pouco mais cara.”

Grande parte dos animais acolhidos pelas ONGs têm histórias tristes. Como Hero, que foi abandonado amarrado a uma caçamba de entulho. Estava magro, doente e era apedrejado por crianças quando foi resgatado por Rinaldi. Agora, aguarda adoção. Já Bob, uma mistura de boxer com vira-lata, estava preso a um poste, com uma das patas dianteiras amputada e ainda com os pontos da cirurgia.

Uma voluntária da entidade Projeto CEL (Casa Esperança e Liberdade para Animais Carentes) o resgatou. Depois de tratado, ele aguardou por um dono e, há seis meses, o eletricista André Luiz da Silva o viu numa feira:

  • Pensei em todos os problemas que poderia ter com ele. Mas o adotei e não me arrependi. O Bob se dá bem com todos. Só não pode ver motoqueiro que fica ouriçado, querendo morder.

Para manter o Projeto CEL funcionando, a fundadora da entidade, Eliete Brognoli, desembolsa em torno de R$ 12 mil por mês. No dia da entrevista, ela estava preocupada com um cachorro cego, abandonado em uma laje, sem comida. A família se mudou e não o levou junto.

  • Estamos lotados, com 450 animais. Estou vendo se consigo alguém para ficar com ele.

Eliete entrou na luta para encaminhar gatos e cachorros de rua para adoção sem perceber. Quando chegou a São Paulo, vinda do Paraná, recolheu o primeiro bicho, uma cachorrinha que apareceu em frente a sua casa.

  • Em menos de seis meses tinha 30 animais dentro de casa. E sempre apareciam mais. Então, com a ajuda do meu marido, comecei o projeto.

A entidade organiza feiras nos finais de semana. Nessas ocasiões, cerca de 30 animais encontram um novo lar. Mas antes de levar o bicho pra casa, os interessados precisam passar por uma entrevista de cerca de meia hora. E os futuros donos ficam sabendo que serão procurados após a adoção, para dar informações sobre o bicho.

Há seis anos, Fábio Rinaldi toca a ONG Loucos Por Bichos, que resgata animais sem dono. Hoje, segundo Rinaldi, há cerca de 400 deles espalhados entre os protetores independentes – pessoas que gostam de bichos e têm espaço em casa para cuidar deles até que encontrem um lar definitivo. Assim como Eliete, Rinaldi tem visto histórias tristes.

Uma delas é a da cadelinha Bianca, da raça Collie que, numa briga de casal, foi arremessada do quarto andar de um edifício. Ela se salvou porque, antes de tocar na grama, teve a queda amortecida por um toldo. O porteiro a socorreu, não a devolveu aos donos e procurou Rinaldi.

  • Denunciamos o casal por maus tratos, cuidamos da Bianca e ela foi adotada por um homem que dizia ter um quintal grande.

Mas os apuros de Bianca não haviam terminado. Rinaldi fez uma visita surpresa ao novo dono da cadela e a encontrou em um quintal realmente grande. Mas ela ficava nos fundos, amarrada a uma corrente com menos de um metro de comprimento, numa área de chão de terra. Como estava deprimida, ela se enterrou e ficou apenas com a cabeça de fora.

  • Nós a retiramos de lá imediatamente. Um senhor na Alemanha a viu no nosso site e nos contatou. Ele cuidou de toda a documentação internacional e, depois de tudo pronto, nós a mandamos para Frankfurt. Agora eles moram na Holanda. Ele sempre nos envia fotos dela.

Mas não são só cachorros que sofrem. Há muitos gatos abandonados. E, pensando nisso, Juliana Bussab criou a ONG Adote um Gatinho. A própria Juliana adotou Chica, uma gata paralítica. O bicho caiu de um apartamento do sétimo andar e quebrou a coluna. Esse é um dos motivos que faz Juliana ser irredutível quando o assunto é segurança. O apartamento de quem quer um gato deve ter telas em todas as janelas e sacadas.

  • No mês passado fui entregar um gato. Apesar de o lugar ter telas, uma das janelas na área de serviço estava sem o vidro. Resultado: ele voltou comigo.

A entidade tem 130 gatos para adoção, distribuídos entre os voluntários. Todos têm fotos no site da instituição, e Juliana vai pessoalmente levar os animais e checar se está tudo em ordem na nova casa.

Mas é importante pensar bem antes de adotar um animal. Eles precisam ser cuidados, alimentados. E levados ao veterinário periodicamente. Também é necessário considerar o espaço onde ele vai viver. Se você mora em apartamento, por exemplo, os cachorros de pequeno porte são os mais indicados. O temperamento do animal deve ser questionado e, quem tem filhos pequenos, precisa saber se o bicho gosta de crianças. E se elas gostam de bichos.

Algumas organizações cobram taxas de adoção. No Projeto CEL, custa R$ 50. A Loucos Por Bichos cobra R$ 60. Em ambas são pedidos CPF, comprovante de endereço e telefone de contato. A Adote um Gatinho não cobra nada. As entidades citadas nesta reportagem entregam os animais castrados e vacinados.

Mas não são só organizações não-governamentais que prestam esse serviço. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Prefeitura de São Paulo, também tem animais para adoção. São cerca de 500, entre cachorros e gatos, que saem de lá para os novos lares vacinados, castrados e com um microchip implantado na região lombar. Esse minúsculo objeto armazena os dados do animal e do novo dono. Se o bicho se perder ou se for abandonado, a prefeitura tem como localizar o dono. Que, em caso de abandono, pode levar uma multa de até R$ 100.

Os interessados em adotar um bicho do CCZ precisam apresentar o RG, o CPF, um comprovante de residência e pagar uma taxa de R$ 15,00. Quem quiser adotar um gato, deve levar uma caixa apropriada para abrigá-lo. Os que pretendem levar um cão devem estar munidos de coleira.

Denuncie maus tratos

Evento comemora Dia Nacional de Adotar um Animal

Onde adotar:

Adote um gatinho

Loucos por Bichos
(11) 9653-3193

Projeto Cel
(11) 2852-8403
(11) 9123-3124

Centro de Controle de Zoonoses
Rua Santa Eulália, 86, Santana
(11) 3397-8900
Aberto de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h. Aos sábados, das 9h as 15h

Feiras de adoção:

Cobasi Radial Leste
Avenida Alcântara Machado, 4.360
(11) 3831-8999
Feiras aos sábados e domingos, das 11h às 18h

Pet Center Marginal
Avenida Presidente Castelo Branco, 1795, Pari
Feiras aos sábados e domingos, das 14h às 21h

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